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Proteína e doença renal: mocinha ou vilã?

  • Foto do escritor: Laís Medeiros
    Laís Medeiros
  • 23 de fev.
  • 2 min de leitura

A dúvida sobre proteína é muito comum no consultório: “Posso comer proteína? Preciso cortar tudo?”

Na Doença renal crônica, a quantidade ideal de proteína depende do estágio da doença e do tipo de tratamento. Nem excesso, nem restrição exagerada — o equilíbrio é individualizado.


Doença renal leve (estágios 1–3)

Nessa fase, geralmente orientamos moderação, não restrição severa. A recomendação costuma ficar em torno de 0,8 a 1,0 g de proteína por kg de peso por dia.

Exemplo: Uma pessoa de 70 kg → cerca de 56 a 70 g de proteína/dia.

O objetivo é evitar sobrecarga renal sem comprometer massa muscular e estado nutricional.


Doença renal avançada (estágios 4–5, sem diálise)

Aqui, a estratégia muda. Muitas vezes indicamos redução moderada da proteína, em torno de 0,6 a 0,8 g/kg/dia, dependendo do estado nutricional.

Essa redução pode:✔️ Diminuir sintomas urêmicos✔️ Reduzir produção de ureia✔️ Ajudar no controle metabólico

Mas atenção: restrições muito severas podem causar desnutrição. Por isso, nunca deve ser feita sem acompanhamento.


Pacientes em hemodiálise

Quando o paciente inicia Hemodiálise, a necessidade muda completamente.

Durante a diálise há perda de aminoácidos, então a recomendação costuma ser maior ingestão proteica, em torno de 1,0 a 1,2 g/kg/dia.

Ou seja: quem faz hemodiálise geralmente não deve restringir proteína, e sim garantir consumo adequado para evitar perda muscular.


E quem perde proteína na urina (proteinúria)?

Essa é uma dúvida importante. Mesmo em casos de perda de proteína na urina, não está indicado aumentar exageradamente o consumo proteico para “compensar”. Isso pode sobrecarregar ainda mais os rins.

O foco deve ser:

  • Controlar a causa da proteinúria

  • Ajustar medicações

  • Manter ingestão adequada, não excessiva


Quais as melhores fontes de proteína?

Prefira proteínas de alto valor biológico, como:

  • Ovos

  • Peixe

  • Frango

  • Carnes magras

  • Leite e derivados (avaliando fósforo e potássio conforme o estágio)

Em alguns casos, também é possível usar combinação de proteínas vegetais, sempre com orientação.

Evite excesso de:

  • Carnes processadas

  • Embutidos

  • Dietas hiperproteicas (como dietas “low carb” muito restritivas)


Cada fase da doença renal exige uma estratégia diferente. O que é adequado para um paciente pode ser inadequado para outro.

Se você tem doença renal leve, avançada ou já está se preparando para diálise, vale a pena avaliar de forma individualizada quanto de proteína é ideal para o seu caso. Um plano alimentar ajustado à sua fase da doença ajuda a proteger os rins, preservar massa muscular e trazer mais segurança para o tratamento.


Com carinho,

Laís de Medeiros

Médica Nefrologista

CRM 40329 | RQE 32542 ❤️

 
 
 

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Dra Laís de Medeiros - Médica Nefrologista em Curitiba

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